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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Monarquia Nova

Por mais que os seus detractores insistam, ancorados em complexos e preconceitos malsões e numa certa subcultura de burguesia de dinheiro novo inseguro, a evidência é que a solução monárquica se coloca hoje como futurível e muitos portugueses, de esquerda como de direita, aceitam agora discutir a Restauração como tópico relevante da agenda política. De tema marginal, a possibilidade da Restauração ganhou paulatinamente adeptos. Já não é um dado de memória, partilhado e transmitido por herança familiar; é uma corrente de opinião que vai ganhando espaço, que concita simpatia e adesões em todos os escalões sociais e profissionais. A república habituara-se a monarquices extravagantes de dedos brasonados e bizantinas exibições genealógicas; hoje debate-se com uma verdadeira insurreição cultural que lhe mina os fundamentos, a legitimidade e desafia a sua mitologia. De facto, a república nunca teve republicanos e os que teve confundiram-se sempre com o Partido Democrático, essa coisa tentacular, carregada de baias e dominada por pulsões liberticidas. Os republicanos, hoje, são poucos, inconsistentes e invertebrados. Pedem a mudança na república, mas tudo o que defendem já foi experimentado e falhou: falhou no republicanismo parlamentar primo-republicano, com uma chefia de Estado simbólica, falhou com o cesarismo plebiscitário de Sidónio, falhou com a presidência submetida ao "presidencialismo do Presidente do Conselho", falhou com o semi-presidencialismo de voto directo universal que ainda temos. No fundo, a república é o passado e desse passado não se consegue libertar. Está, arrasta-se, finge consenso. Não sendo detestada é, no mínimo, desprezada. Viraram-lhe as costas, por ela não se interessam, não mobiliza corações nem inteligências. Refém das lutas partidárias, a chefia de Estado republicana passou a ser encarada como pré-aposentamento para os locatários de Belém. Vai-se descendo em intervenção, subindo na hierarquia do Estado. O Presidente é, hoje, um Roi fainéant, um falso rei constitucional, sem o prestígio de um monarca hereditário, sem a influência fáctica de que gozam os reis e com a tremenda e irreparável suspeita de continuar, por mais que o negue, a depender do(s) partido(s) que o colocaram na chefia do Estado.Por seu turno, a possibilidade de uma monarquia nova parece identificar-se com a grande política e com a destinação de Portugal. Hoje, defender a monarquia pressupõe a defesa de uma certa ideia de Portugal, da lusofonia, da preservação do mínimo da soberania do Estado, das liberdades regionais, da separação de poderes, da fiscalização dos abusos cometidos pela partidocracia, de colocar no seu lugar os plutocratas mais as negociatas e os favores. Defender uma monarquia nova é sinónimo de reposição da respeitabilidade do Estado, da solidariedade social e da realização dos grandes objectivos colectivos.Acabei de ler uma excelente antologia comentada de textos de Lord Salisbury, quiçá um dos maiores pensadores de acção conservadores do século XIX, infelizmente pouco conhecido pela generalidade dos conservadores portugueses. Salisbury era defensor da paz e do equilíbrio, teoria que aplicava aos negócios estrangeiros como aos assuntos internos. Para a sua realização, advertia para o perigo do imobilismo conservador e do aventureirismo trabalhista. Uma política serena, de unidade no essencial, com partilha de responsabilidades era, em suma, a sua solução. Portugal precisa, mais que no passado, desta concórdia e deste embainhar de espadas. Portugal precisa de recobrar a segurança e o ânimo, voltar a gostar de si, pensar as aventuras do futuro. A república atira-o para o passado, para a guerra civil, para a disputa miniatural, para o fulanismo. É por isso que sempre que olho para os nossos príncipes vejo essa possibilidade de recobro do direito que temos ao futuro.

in Centenário da República

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

A Revolução Mental

Portugal não quer e não está preparado para uma Transição Monárquica. É necessário reconhecer que fora dos meios pró-monarquicos, Rei e Monarquia são verbo morto. Ponto.
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Um século de Regime Republicano feito da anarquia in extremis dos 16 anos da I Républica (participação na I Grande Guerra, 8 presidentes e 45 governos!!), 40 anos de provincialismo e perificidade auto-consentidos e retranca sob a égide do Estado Novo de Salazar e as andanças, decorrentes e subsequentes, ao 25 de Abril de 1974 conjuntamente com o longo exílio dos nossos Reis e o desaparecimento das gerações de Portugueses que viveram "no tempo Monarquia" ditaram o virar de costas entre Portugal e os seus 800 anos de História Monárquica.
Referendar os portugueses quanto à forma do regime seria neste momento um erro crasso. Não é expectável que um Povo opte por aquilo que desconhece. Pessoalmente evito tiros no pé, portanto faço votos para que o referendo não aconteça nos tempos imediatos.

Desse modo, o primeiro trabalho sério e balizado dos monárquicos organizados deverá ser o da re-apresentação da Monarquia a Portugal e o de arredar a ideia de Monarquia como forma de Estado vetusta e anacrónica.
Recordo a nível de curiosidade e como exercício de cronologia que Salazar e el Rei Dom Manuel II nasceram no mesmo ano de 1889. Ao passo que em 1932 Salazar iniciaria uma carreira política que, tal qual um reinado, duraria até à sua morte em 1970, por seu lado, em 1933, a vida daquele que foi o último Rei de Portugal finava-se no exilio em Londres. Curiosa ironia da História que dois homens nascidos no mesmo ano e predestinados a responsabilidades tão diversas, vejam afinal, os seus percursos de vida tão revolucionados. De tudo isto especulo que, muito provavelmente, no caso de não terem sucedido os acontecimentos de 5 de Outubro de 1910, Portugal teria chegado aos anos 70 do século passado pela mão do rei Dom Manuel II. Assim tivesse sido, e o Rei tivesse gerado progenitura, (digamos nos anos 30) quem sabe, em 2010, não seria ainda Rei de Portugal um filho de Dom Manuel II (a actual Rainha de Inglaterra, que nasceu em 1926, corresponde à geração de qualquer hipotético filho que o Rei de Portugal pudesse ter tido). Daqui constato que entre 1910 e a actualidade saltou-se apenas um hipotético titular na numeração dos Reis de Portugal. O tempo da Monarquia não vai afinal tão longínquo quanto longínqua vai a sua memória.

É este pois o grande cavalo de batalha que os monárquicos deverão alimentar junto ao Povo: um intenso revival do sentimento monárquico: Monarquia, ao contrário de Républica que começa a não significar coisa nenhuma, representa passado, presente e futuro. É uma instituição que encerra em si os genes de Portugal e da portugalidade. É um canal no tempo que comunica directamente a 1143 e ao nascimento da Nação. É um sábio com 900 anos. É o estandarte que em todos os grandes momentos da história assinalou a presença de Portugal no Mundo. A relevância da Pessoa Real não lhe advêm da coroa ou do trono onde se senta mas sim do peso e da responsabilidade histórica que consigo transporta. Esse peso é Portugal, esse peso somos nós, é nossos pais e nossos avós.

Iniciei este texto por dizer que Portugal não quer transitar para Monarquia. Nesta fase tenho necessidade de me emendar: nem quer é a nação outra coisa, PORTUGAL QUER DESESPERADAMENTE TRANSITAR PARA MONARQUIA. Não está, porém, ciente disso. Vejamos factos:

-Ao contrário de países profundamente republicanos como sejam a França (a Revolução de 1789 ficou profundamente inscrita nas mentalidades) e a Itália (cuja constituição em Pátria Una é recente - século XIX - e portanto não permite à Instituição Monárquica gozar do prestígio que só o peso histórico confere), em Portugal existe uma profunda e generalizada simpatia popular, carinho ouso dizer, pelos membros da actual Família Real. Esse carinho, não tenho dúvidas exponenciar-se-á nos anos próximos mêrce de três jovens Príncipes que Portugal saberá amar no século XXI como amou outros, da mesma família, em séculos passados.

-A inclinação monárquica nacional é inata e verifica-se pela curiosidade -sem paralelo em nenhum país europeu - que temos em relação ao bê-a-bá das monarquias estrangeiras. Destaco o facto da quase totalidade da nossa imprensa e orgãos de comunicação social dedicarem a título permanente ou frequente páginas e rúbricas aos acontecimentos quotidianos das casas reais estrangeiras. Caso surpreendente e de estudo sociológico é o casamento, em 2003, do Príncipe das Astúrias; que sendo espanhol "não é da nosso conta"; que protagonizou durante meses as conversas de café entre nós e cujo dia da cerimónia monopolizou as três televisões nacionais de sinal aberto - RTP, SIC e TVI que bateram records de audiências transmitindo ininterruptamente e em directo os acontecimentos de Madrid. Nesse dia Portugal sonhou com um sonho alheio.
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-A um país de "estrutura familiar", como Portugal, em que os laços de sangue e as afectividades actuam como elementos chancelares na sociedade, um modelo de Família Real que se propaga no tempo pela sucessão dos filhos aos pais institui-se como referência e modelo para os cidadãos. A observação da Família Real e dos seus rituais tem a capacidade de estimular e revigorar a própria noção de nacionalidade que nessa família tem um dos seus mais válidos emblemas. As famílias reais corporizam os estados que chefiam e desse modo amenizam a imagem dura do aparelho governativo tornando-o mais intelígivel para todos.
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Pegar nesta e noutra argumentação, saber fazer a sua apresentação e planear a sua decorrente transmissão entre os portugueses é empreender o ressuscitar do Ideário Monárquico. Cabe a cada monárquico, na sua corrente ideológica própria, da esquerda à direita, religioso ou ateu, jovem ou velho... fazer o equílibrio próprio que permita passar a imagem da Monarquia e da Família Real como um plano e um pacto para o futuro. É necessário demonstrar que a Monarquia é um regime aberto a todos - um enorme casa, com um enorme telhado e cuja entrada se faz por diversas portas - e que se readapta sempre que necessário no sentido de acompanhar o processo histórico e as mudanças de consciência e de pensamento. Tudo isto porque é um regime humanista. A acção do Rei resulta de largos anos de aprendizagem e da sensibilidade extrema que este desenvolve para auscultar o seu País e o seu Povo. O upgrade do Regime Monárquico é diário porque é um regime sensitivo, em nada burocratizado e de resposta maquinal como o são as Républicas. A Monarquia não é hermética, não é estanque, não é estagnada, não é anacrónica e não é rígida. Abrir os olhos das massas para esta alternativa, que é tão preemente como viável, é um trabalho intelectual, é o desbravar de uma bruma psicológica que desde há 100 anos tolda o pensamento dos portugueses, é um apelo ao orgulho pátrio, à portugalidade e à ousadia que é afinal uma caracterítica tão portuguesa. É relembrar de onde vimos para poder então tomar o caminho a seguir em diante. É a Revolução Mental!
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Diogo de Figueiredo Mayo

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O Príncipe Real e a Empreitada da Transição

O Príncipe da Beira, que é agora uma criança, será a curto prazo a maior bandeira dos monárquicos portugueses e portanto a peça central na empreitada da Transição para a Monarquia. Estou certo de que, pelo viço, pela ousadia e pelo brilho da juventude, será nele que, em 10 anos, pousará a curiosidade de todos no que concerne à Monarquia Portuguesa o que constituirá Dom Afonso no maior activo humano e maior símbolo desta. Será nessa altura um jovem adulto em fase de conclusão das primeiras formações académicas, terá uma vida social independente com saídas, desportos e agenda oficial própria e será também a altura das primeiras namoradas e entrevistas individuais junto aos média, etc etc etc. Em tudo será objecto de curiosidade do seu Povo. É por tanto que apologizo que o jovem Dom Afonso deva desde já iniciar funções de representação da Casa Real Portuguesa com grande intensidade. Não quer esta premissa retirar a primazia do Senhor Dom Duarte enquanto Chefe da Casa Real de Portugal mas acontece que verifico entre pai e filho uma pequena, grande diferença: Ao passo que o Senhor Dom Duarte não teve a oportunidade de crescer "sob o olhar" dos Portugueses ( Nasceu no exílio dos seus pais na Suiça e fez-se homem durante o período da ditadura do Estado Novo com todas as limitações que esse regime lhe impôs ), o caso do Príncipe da Beira é, todavia, diverso: Nós, Portugal, conhecemos esta criança desde o momento em que nasceu e, creio, devotar-lhe-emos ao longo dos próximos anos um crescente de simpatia. Afonso de Bragança gozará em idade muito jovem de uma afeição nacional que o Duque de Bragança, por contingência da história portuguesa do século XX, não pôde gozar. A visibilidade contínua e em gradual crescente do Príncipe da Beira não pretende inviabilizar o Duque de Bragança na sua chefia natural da Família Real Portuguesa mas sim granjear, desde tenra idade, ao Infante, que é também ele rei-a-ser, um "clube de fans" sólido e amantíssimo. Defendo desde à largo tempo que Afonso de Bragança deve espelhar para o futuro o conceito de verdadeiro "Príncipe Perfeito" moderno: Grande académico com competências em áreas diversificadas como sejam as Ciências Económicas, as Relações Internacionas, as Línguas, a História, a Diplomacia e os Estudos Militares; desportista exímio ( vide o caso do vizinho Príncipe das Astúrias que em 1992 representou a Espanha nos Jogos Olímpicos); gentleman; indíviduo activo social e solidariamente; elegante no trato, na aparência e no porte; acessível; mundano na medida certa e devotado a Portugal para além de qualquer medida. A educação esmerada que recebe dos seus país é também, em Monarquia, um assunto de Estado e nesse sentido deverão todos os monárquicos estar disponíveis para contribuir para a formação do jovem Príncipe. Relembrando-me de que o próprio Dom Duarte foi interno do Colégio Militar, não deixo de referir a existência de Colégios de grande reputação internacional na Europa e América. Tenho conhecimento de um em especial, na Suiça, apelidado desde há várias décadas de "A Escola dos Reis" em virtude da grande quantidade de reis, príncipes e imperadores que antes de reinarem em diversos países e estados do Mundo durante o século XX, lá procederam à sua formação. Neste mesmo momento, esse exacto colégio, conta entre os seus discentes com futuros Reis e Princípes Reinantes a par de filhos de "cabeças coroadas" da banca, finança e bolsa mundial. Enfim, muitos dos futuros líderes mundiais do século XXI. Enumerar as vantagens de que Dom Afonso usufruiria em, desde criança, travar conhecimento e amizade (é na infância e na juventude que em muitos casos se estruturam as relações pessoais que permanecem pela vida fora) com aqueles que amanhã serão os "donos do Mundo" é em si um rol de tal modo vasto de mais-valias que não me o disponho a citar já que, creio, tais vantagens são mais do que visíveis aos olhos de todos: A possibilidade do futuro Chefe do Movimento Monárquico Português e, assim Deus queira, Rei de Portugal "acamaradar" ab ovo com aqueles que vão fazer a história do século XXI é por demais importante. Seria a possibilidade do futuro Rei de Portugal iniciar uma carreira diplomática antes ainda do aparecimento da primeira penugem de barba. Do sucesso da formação dos seus príncipes, não esqueçamos, decorre amíude o sucesso das nações a que estes presidem.
Diogo de Figueiredo Mayo

domingo, 13 de dezembro de 2009

A Transição para a Monarquia. O Caminho

O que se pretende, o objectivo, é a mudança do Regime político, a 3ª Republica. Não porque nascemos simpatizantes da monarquia, mas porque acreditamos que o Regime Monárquico, tem inúmeras vantagens e potencialidades para recuperar o estado de descrença actual da sociedade portuguesa. A acção monárquica consistente, tem assim de dar a esta prioridade política, todo o seu ênfase nesta primado e desfazer todas as outras imagens negativas. A Monarquia tem assim de ser uma doutrina política de alternativa de mudança. A Monarquia tem de, pela afirmação das suas indiscutíveis vantagens para a recuperação nacional e para a preservação da alma portuguesa, de encontrar o caminho da sua acção de mobilização dos portugueses. Esta terá de ser a sua imagem e a sua mensagem. A congregação dos portugueses, de cada vez mais portugueses, na sua adesão à mensagem monárquica, deverá ser assim a principal preocupação da acção monárquica. Portugal está acima de todos os interesses particulares, de todas as tentações de defesa de privilégios, de pequenas ansiedades, de quaisquer posições particulares de influência. Só pode ser esta a imagem que os monárquicos podem transferir para a sua mensagem. É uma clara e inequívoca postura como solução alternativa, actual e moderna, que poderá originar a adesão dos portugueses. Uma postura nacional, nunca uma postura corporativa. Nunca uma proposta de um grupo, de uma estrutura, mas sim de um movimento que se divulga e expande através da sociedade, através da referência do Chefe da Casa Real, como símbolo da nossa história e como personalidade aglutinadora, da afectividade popular e da identidade nacional. O protagonismo dominante, é do Herdeiro Presumptivo, de D. Duarte Pio, mas também de sua Família. Todos os monárquicos, todos os simpatizantes ou militantes e as suas organizações devem colaborar e apoiar a sua acção, como instrumentos, todos eles necessários, todos eles importantes. A mensagem monárquica é simples e muito objectiva. Portugal precisa que o Chefe de Estado, seja o herdeiro da nossa história e a referência essencial de todos nós portugueses. O caminho portanto não é o da implantação de estruturas na sociedade portuguesa…Esse caminho pode ser feito, mas é lento, difícil e os momentos históricos não esperam pelas dificuldades das estruturas. O caminho é o da divulgação da mensagem e para isso terá de haver muitos e diversos instrumentos. O caminho das estruturas é sempre gerador de conflitos e apetências pessoais geradoras de desvios relativamente ao que deve ser a preocupação essencial. Os conflitos são inibitórios da acção e da imagem. O caminho terá de ser também o da coordenação, que só pode ser funcional se próxima e dependente da liderança. Só tem sentido, uma coordenação íntima e permanente, entre a função da Casa Real e a acção dos seus instrumentos de apoio. Só essa coordenação, entre a afectividade e o discurso, entre a presença e a imagem, entre a estratégia e a acção, feita através da liderança de D. Duarte Pio, pode resultar. Não tenho quaisquer dúvidas, que se todos formos capazes de assumir, esta postura de humildade, de sermos instrumentos ao serviço da função histórica do único líder possível, muitos mais instrumentos surgirão. Surgirá uma nova onda de afirmação monárquica, surgirão outros instrumentos de influência na sociedade, desde a comunicação social, passando por diversíssimas agremiações de portugueses, que se disponibilizarão a colaborar. Se assim for, também desaparecerão as tentações de afastamento das inúmeras propostas e das disponibilizações pessoais, induzidas pela ânsia de preservação dos protagonismos estabelecidos, ou de inércias dos acomodados. É preciso entender, que o que queremos não é uma revolução, que amedrontaria os portugueses. O caminho é outro e o único possível em democracia. É precisamente salvaguardar a democracia, preserva-la e aperfeiçoa-la. Não é portanto uma Restauração, mas sim uma mudança de regime constitucional, que nesse momento, é querida e desejada pela maioria do povo português. É uma Transição, para um regime melhor, democrático e moderno, muito mais adaptado à nossa realidade humana, histórica e cultural. Um regime mais adaptado para recuperar a alma portuguesa e para a mobilização dos portugueses, para ultrapassarem esta gravíssima crise política, económica e social. Esta tarefa patriótica, não se faz com o lançamento da suspeição, de preservação de privilégios ou de recuperação de ideias que estão enterradas. Tudo o que possa transmitir essa imagem, de conotação com o passado ou com privilégios, constitui um grave entrave à implantação da mensagem monárquica que assim ficará condenada ao fracasso. Não poderá haver, nenhuma resquício de corporativismos, de unicidade da representação e da acção, de monopolismo de organização e muito menos dúvidas sobre quem é o líder, de quem é o herdeiro ou sobre como se processa a coordenação. A liderança é numa Monarquia, um direito de herança, que justifica a doutrina. A liderança é de D. Duarte Pio de Bragança e só Ele pode assumir a sua herança. É assim e só assim, que a entendo e é por essa doutrina, que luto empenhadamente. Não por mim, não pelos monárquicos, mas por Portugal.
Faço-o com entusiasmo, porque Acredito.

José J. Lima Monteiro Andrade